Travessia Petrópolis – Teresópolis: relato completo

Relato do dia a dia da Travessia Petrópolis Teresópolis

Na Patagônia fizemos o nosso primeiro trekking sozinhos, o Circuito W no Parque Nacional de Torres del Paine,  e voltamos ao Brasil energizados para fazer o nosso primeiro em terras brasileñas.

Só tínhamos um problema: qual? Qual trekking nós, mortais sem GPS,  faríamos?

Foi aí que nossos amigos Ádria e Hugo, também mortais sem GPS em busca do primeiro trekking no Brasil,  lançaram o convite para fazermos a travessia de Petrópolis Teresópolis no feriado da Páscoa. E quer saber? Por que não? 

Demos uma olhada nas fotos do Google,  Ádria fez as reservas das 2 noites de acampamento e as entradas do parque, e estava decidido, nossa aventura seria no Rio de Janeiro, dali 40 dias. 

E então, o perrengue a emoção começou
O primeiro item do check list que apareceu foi o danado do GPS. Parecia noticiário “…no segundo dia em caso de mal tempo (neblina), o risco de se perder é grande. Utilize o GPS ou contrate um guia”.
Não queríamos contratar um guia,  opção nossa, e não tínhamos um GPS,  opção do nosso bolso.
O segundo item era uma corda de 10 metros (eu aconselho 15 m) e essa nós tínhamos.

Para todo restante acreditávamos estar preparados: comida, preparo físico,  primeiros socorros, equipamentos (exceto o GPS) e navegação por carta.

Chegando ao Parque

Partimos de São Paulo às 22h e chegamos à rodoviária de Petrópolis às 6h da manhã seguinte em um ônibus repleto de aventureiros com o mesmo destino, a travessia. Neste ônibus haviam 15 pessoas de um grupo guiado e 5 de outro, também guiado. Todos aqui têm guia? Sim, menos nós 3. É verdade, não éramos mais 4 e sim 3, já que o Hugo se machucou escalando. Ele até viajou conosco, mas teve que ficar em Petrópolis conhecendo todos os restaurantes, cervejarias e museus, enquanto sua esposa, Ádria, nos aturava por 3 dias. Que pena dela…
.

Da rodoviária é preciso pegar 2 ônibus municipais para chegar até a sede do parque de Petrópolis (Bonfim), um até o Terminal Corrêas e outro (número 616 – Pinheiral) até a Escola Rural do Bonfim. 

DICA: em feriados corra para as filas destes ônibus, pois lotam e você pode acabar tendo que esperar próximo.

Portaria PetrópolisEntrada do ParquePainel de Informações

Na sede, às 9h assinamos os termos, checaram as nossas entradas e acampamentos (leve impresso!) e pronto. 

Pé na trilha!

DIA 1

O primeiro trecho até a bifurcação para a cachoeira Véu de Noiva (ponto de água) foi bem tranquilo, cachoeira para esquerda e Castelos do Açu para direita. Para chegar até a cachoeira, é preciso atravessar um rio de pedras escorregadias e a trilha continua até ela, que é linda e vale a pena. Sou daqueles que entra na cachoeira por mais gelada que esteja, mas não entra em um chuveiro gelado nem com reza brava.

Trilha para Bifurcação da CachoeiraRio para Atravessar
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 Aquele dia de céu azul ainda estava começando. Voltamos até a bifurcação e tocamos para Pedra do Queijo, nossa parada para almoço e um lugar para sentar estava concorrido. Então, continuamos até o Ajax (ponto de água).

Travessia Petrópolis - TeresópolisTravessia Petrópolis - Teresópolis
Travessia Petrópolis - TeresópolisTravessia Petrópolis - Teresópolis

No primeiro dia são mais de 1.100 metros de altimetria conquistados em 7km. Puxado! O trecho final de subida, conhecido por Isabeloca, foi desviado da rota original, portanto se você está com GPS, cuide para estar com seu tracklog atualizado. A rota original está preservada para restauração da vegetação.
O final da Isabeloca, marcou o começo das vistas de tirar o fôlego. A caminhada neste trecho estava tranquila, mas durante o caminho para o Morro do Açu, o sol já estava se pondo, e agora? Corremos para aproveitar a luz do dia ou ficamos para ver o sol se pôr? Pessoas experientes diriam para aproveitar a luz solar e apertar o passo. Nós aproveitamos a luz solar, acompanhamos cada raio de sol se escondendo em um pôr do sol maravilhoso, e depois apertamos o passo.

 

 No primeiro dia não tem segredo! A trilha é muito bem marcada em meio à vegetação.
A noite, chegamos ao Morro do Açu e l
á, era possível acampar próximo ao abrigo ou à cabeça da tartaruga.

DIA 2

Este era o dia! Navegar sem GPS, passar pelo “elevador”, “mergulho”, “cavalinho” e chegar até o Abrigo 4, da Pedra do Sino.
5h da matina, é hora de ver o sol nascer! Como um ritual, todos vão ao Castelos do Açu para este momento. 
Fez um bocado de frio a noite, mas não deve ter chegado a 0° C. Levantamos acampamento, enchemos nossas garrafas de água e partimos. Geralmente, o tempo que se leva no primeiro dia é parecido com o tempo do segundo.

 

Neste dia, existem pelo menos 2 trechos que são por laje de pedra que em caso de neblina, só um guia ou GPS poderão te salvar. Tome cuidado!

A travessia começou ao lado do abrigo, sentido Pedra do Sino. Depois de pouco tempo encontramos uma descida íngreme e então uma laje de pedra. Como o tempo estava  bom, foi possível ver a continuação da trilha ao lado do vale.

 

Continuamos e começamos a subir oMorro do Marco, na subida tivemos alguns trechos de trepa pedra e os primeiros escorregões e no final da trilha (no topo) viramos para direita, caminhamos pela crista e a descemos pela laje de pedra em direção ao Dedo de Deus.

Chegamos a um riacho na base do Morro da Luva onde tem sombra e água fresca, (estávamos precisando!). Conosco, haviam umas 10 pessoas e outras estavam chegando, então resolvemos sair para diminuir a fila da água.  Sim, havia fila. Tocamos para cima, agora subindo o Morro da Luva. O começo é pela mata, mas a sombra durou pouco, seguimos com um sol do agreste de tostar a moleira. Quando chegamos a crista, transmitindo uma paz e maior do que as fotos podem representar, surgiu a Pedra do Garrafão. Que vista!

 A trilha continua pela crista, atravessando o morro. Terá um vale e o sentido é para direita,  continuando entre lajes de pedra, trilha e atravessando outro riacho (ponto de água). Depois de um bom tempo atravessamos uma ponte de madeira e chegamos ao Elevador. Havia chovido nos dias anteriores e boa parte da trilha tinha lama e a Ádria que tomou todo cuidado para não molhar a bota a fim de escalar o “Elevador” sem o risco de escorregar, descobriu que ele inteiro estava molhado. Antes da subida, parada para almoço. E aí, grupos estavam chegando, a fila aumentando e o tempo passando.  Vamos. A subida não foi tranquila, teve muita atenção e tensão. Ferros da escada soltos e outros faltando, todo cuidado era pouco (sem falar no peso da mochila te empurrando). Um pé de cada vez, sem pressa. Pronto, passamos.

 Como recompensa um cubinho de doce de leite doado pelo amigo da trilha, a Maiza (com a mão bem limpinha) não pensou duas vezes. Obrigado amigo!

 Após o elevador, seguimos até encontrar mais um trecho de laje, agora mais íngreme, onde era possível ver 2 pês cravados na rocha que podem ser muito úteis em dias de chuva forte. Por todos estes trechos onde caminhamos pelas rochas foi possível encontrar os totens (foto abaixo). Já as setas indicando a direção (amarela para Teresópolis e branca para Petrópolis) eram raras.

Totem para OrientaçãoSitas amarelas sentido Teresópolis

Subimos a crista do Dinossauro, passamos pelo Vale das Antas (ponto de água), continuamos pela Pedra da Baleia, depois zizagueando pelas lajes de pedra chegamos ao Mergulho.

O Mergulho é uma depressão (buraco) no final das lajes de pedra com uns 5 metros de altura. Quando chagemaos, um casal com corda, ajudava outros dois trilheiros, que não tinham. Então, começamos a nos preparar enquanto a fila se formava atrás de nós. Optamos por fazer um pequeno rapel pois achamos que era o mais seguro para aquela pedra úmida e escorregadia (imagine em dias de chuva!). No meio do rapel da Ádria, chegou um quarteto de cabras da peste, metidos a Indiana Jones, querendo passar rapidinho e ao mesmo tempo que a Ádria. 

     – Amigo,  quer passar, passa, mas não segura na corda que ela está pendurada né?

Pois é, esses Indiana Jones estavam sem o chicote para lançar na árvore e usar feito cipó.

Pronto, mergulho superado,  então vamos para o próximo,  o Cavalinho.

Quando chegamos lá,  adivinha quem estava travado com medo de altura e não conseguia passar pelo cavalinho?  Um dos Indiana Jones.

     – É amigo,  no filme era mais fácil, né?

Assim como no Mergulho, tiramos as mochilas e passei primeiro para içá-las. No Cavalinho existe um “pê” para proteção que usei para içar um Indiana Jones, dois Crocodilos Dundee, a Ádria, a Maiza, quatro pessoas que não tinham corda, tampouco guia e onze mochilas, até que chegou o grupo guiado pelo Janio,  que me perguntou:

– Você é guia?

– Não, estou mais para bom samaritano de trilha mesmo.

– Eita, então pode continuar que ali em cima tem uma passagem pior que essa, e o pessoal deve estar te esperando 🙂 .

Dito e feito, dali 10 metros, a turma estava lá me esperando. Mais um trecho bem complicado com necessidade do uso da corda. Acredito que levamos mais de 1 hora, entre o Mergulho, Cavalinho e o último trepa pedra, pois foram trechos técnicos, com fila e ajuda aos desavisados.

Dali em diante, a trilha foi tranquila e rápida até o Abrigo 4. 

 

Dica: chegando ao abrigo, a primeira coisa a se fazer é colocar o nome na fila do banho quente, caso você tenha comprado, pois a espera pode ser bem longa.

Armamos a barraca, a Maiza fez um jantar sinistro, comemos e esperamos, esperamos, até que eu comecei a dormir em pé esperando a minha vez no banho. Quer saber? Já tomei um banho de cachoeira antes de ontem, vou dormir. A Maiza conseguiu revender o meu banho e o lugar na fila.

Leia também PARQUE NACIONAL TORRES DEL PAINE | W CIRCUIT | O RELATO

DIA 3

5h da manhã, hora de acordar para ir ver o sol nascer na Pedra do Sino. Chegamos em 30 minutos, com tempo para andar pelo pico e escolher o melhor lugar para dar bom dia ao sol.

Descemos, levantamos acampamento e seguimos morro abaixo. O caminho foi óbvio e tranquilo, com vários pontos de água.

Chegamos à portaria da sede em Teresópolis realizados! Satisfeitos com cada minuto desta travessia e famintos.

Andamos até o ponto de ônibus indicado pelos funcionários do parque, e próximo à rodoviária comemos um PF de respeito. Entramos no ônibus para Petrópolis, depois para o hostel e finalmente tomei banho.

 

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